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terça-feira, 2 de julho de 2013

NOTÍCIAS DO MUNDO DOS LIVROS

José Luís Peixoto ganha Prémio Salerno Livro d'Europa. 
O escritor José Luís Peixoto, de 38 anos, venceu a primeira edição do Prémio Salerno Livro d'Europa, em Itália, com a obra Livro, prémio atribuído a autores com menos de 40 anos por um júri constituído por 50 personalidades ligadas ao meio editorial italiano. 
A obra Cemitério de Pianos, do mesmo autor, também está na primeira lista do Prémio Impact Dublin, ao qual concorrem obras publicadas em língua inglesa nomeadas por livreiros de todo o mundo. 
José Luís Peixoto conta já com diversos prémios: Prémio José Saramago, em 2001, com o romance Nenhum Olhar, e prémios Daniel Faria e Cálamo Outra Mirada, em 2008. 
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José Eduardo Agualusa vence primeira edição do Prémio Manuel António Pina com A Rainha dos Estapafúrdios, livro ilustrado por Danuta Wojciechowska.
O júri do prémio, composto por Adélia Carvalho (fundadora da Tcharan), Inês Fonseca Santos (jornalista) e Álvaro de Magalhães (escritor), decidiu ainda atribuir este prémio a José Eduardo Agualusa, escritor que espera agora que se comece a valorizar mais a literatura infanto-juvenil, área à qual o prémio é dedicado. Surpreendido com o prémio, Agualusa afirmou que “Há muito poucos prémios para a escrita para crianças, existem prémios para a ilustração mas não para a escrita”, e acrescentou que esta é uma área que “devia ser mais valorizada”, pois “Afinal implica a conquista de novos públicos”, acrescenta o escritor, para quem deviam existir ainda mais prémios nesta categoria. Para este autor, é na idade infantil que se começam a criar hábitos de leitura e por isso acredita que devia ser uma prioridade o incentivo e promoção da literatura para estas idades. “Há quem diga que é mais fácil escrever para crianças mas isso não é verdade, não são um público nada fácil. As crianças são muito atentas e é preciso sempre ter muito cuidado na escrita, elas querem histórias com interesse, contadas de forma cuidada”, defende Agualusa. 
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Luísa Ducla Soares organiza Poesia para todo o ano
Esta coletânea, feita a pensar nos alunos do primeiro ciclo e tendo como linha orientadora as metas curriculares, inclui mais de uma centena de poemas de autores como Manuel António Pina, Sophia de Mello Breyner Andresen, Fernando Pessoa, João Pedro Mésseder, José Fanha, Eugénio de Andrade, Bocage, Cecília Meireles, Miguel Torga e Alexandre O'Neill, bem como rimas da tradição oral, textos de António Torrado, José Jorge Letria, Matilde Rosa Araújo e Sidónio Muralha. Os poemas selecionados abordam temas diversificados: a terra e o universo, os seres vivos - do cogumelo ao crocodilo -, poemas sobre seres nunca vistos - fadas, fantasmas, gigões e anantes (segundo Manuel António Pina) - e outros falam sobre os sentimentos, como o medo, a alegria ou a humildade.
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domingo, 2 de dezembro de 2012

LIVROS DO MÊS DE DEZEMBRO


     Talvez em dezembro exista algum tempo extra para se contarem histórias. Talvez haja até algum tempo para se inventarem histórias em família. Talvez exista também tempo de olharmos para o "Outro" - de outra raça, de outra religião, de outra cor - como o espelho do "Eu". São estas algumas das razões que nos levam a sugerir, aos mais velhos e aos mais novos, dois livros que contam histórias fascinantes: o primeiro já vendeu mais de dois milhões de cópias em todo o mundo e foi traduzido para 27 idiomas; o segundo resulta dos talentos de Sophia e do seu neto Pedro.

DEIXA-ME QUE TE CONTE, de Jorge Bucay

Deixa-me que te Conte
     Todos nós nascemos, vivemos e morremos embrenhados em histórias. As nossas vidas são histórias que contamos a nós próprios e aos outros a respeito de quem somos e daquilo em que acreditamos. Todo o mundo conhecido, toda a política, toda a religião, toda a ciência, não passam de uma narrativa imensa e complexa – histórias acerca da origem, da finalidade e do sentido da vida. Todos nós respiramos histórias.
      Com plena consciência do poder (destrutivo ou curativo) das histórias, Jorge Bucay apresenta aqui uma história feita de histórias: pequenos contos que têm sempre tanto de cómico como de trágico e que nos permitem experimentar, de uma forma direta e intensa, a verdade acerca de nós próprios, através das personagens Jorge e Damião. 
     Damião, um rapaz curioso e inquieto, deseja saber mais acerca de si mesmo. Esta busca leva-o a conhecer Jorge, "o gordo", um psicanalista muito invulgar que o ajuda a enfrentar a vida e a encontrar as respostas que procura através de um método muito pessoal: em cada sessão, conta-lhe um conto. 
     São contos clássicos, modernos ou populares, reinventados pelo psicanalista para ajudar o seu jovem amigo a esclarecer as suas dúvidas. Contos que nos podem ajudar a todos a compreender-nos melhor a nós próprios, a ponderar as nossas relações e a ver os nossos temores com outros olhos.

Fontes: Textos da aba e da contracapa

OS CIGANOS, de Sophia de Mello Breyner Andresen e Pedro Sousa Tavares


    Os Ciganos é um conto inédito de Sophia de Mello Breyner Andresen localizado no seu espólio na primavera de 2009. Este conto encontrava-se inacabado, tendo Pedro Sousa Tavares, jornalista e neto da escritora, assumido a responsabilidade de continuar uma história sobre o irresistível apelo da liberdade, sobre a atração pelo que está fora dos muros e pela descoberta do outro e suas diferenças. 
     Ruy, o protagonista deste conto, é um rapaz que vive numa casa que não lhe parece ser sua. Ali imperam muitas regras, muitas rotinas, tantas que nem mesmo o jardim que rodeia a casa consegue ser suficientemente grande para que se sinta livre. 
     Contudo, num daqueles dias de primavera que caem lentamente ao som do baloiçar das folhas, Ruy é surpreendido pelo rataplã de um tambor que o desafia a saltar o muro do jardim e a percorrer os campos até se abeirar de um acampamento de ciganos. Com eles acaba por ficar e, inspirado pelo espírito indomado de Gela, uma rapariga cigana de olhos cor de avelã, vai descobrir o prazer de sentir o chão debaixo dos pés, enfim, vai experimentar a liberdade pela qual sempre suspirou.

Para conheceres um bocadinho destas obras:
  • Lê, na página "LEITURAS EM VÁRIAS LÍNGUAS", o conto "O verdadeiro valor do anel"
  • De seguida, vê o pequeno filme sobre o lançamento de Os Ciganos, onde ficas as conhecer outra dimensão estética do conto de Sophia e Pedro - as belas ilustrações de Danuta Wojciechowska - e depois saboreia o excerto de "Os Ciganos", onde a magia da leitura e da escrita se encontram em destaque.


     «- Eu invejo-te – disse Ruy. – A vida, lá onde eu moro, não é nada como a vossa. É cheia de regras e horários rígidos. Levanto-me de manhã, tomo o pequeno-almoço, vou para a escola, regresso a casa e mal tenho tempo para me divertir. Depois lancho, tenho mais deveres para fazer. Janto, vou para a cama, e tudo se repete. Não há magia, como aqui. 
     -Nós também temos muitas regras e deveres, mais do que possas imaginar – respondeu-lhe Gela. – E Também te invejo. 
      - Porquê?! 
     - Podes apreciar coisas que nunca saberei. Também gostava de saber ler e imitar as letras que vejo nos livros. Para mim parece magia conseguir viver tantas aventuras, saber tantas coisas, a olhar para folhas de papel iguais umas às outras. E ainda deve ser mais extraordinário escrever as nossas próprias histórias para que outros as leiam. Entre nós só alguns homens, os que fazem as vendas nas feiras, conhecem os vossos símbolos. O meu pai diz que não nos fazem falta as letras dos gadjós, porque tudo o que precisamos de saber está escrito na memória dos mais velhos. Mas eu tenho medo que chegue um dia em que já ninguém se lembre de nós. 
     Ruy olhou para a rapariga do arame, pensativo. Estava tão fascinado com a vida dos ciganos que nem lhe passara pela cabeça que pudesse haver coisas do seu próprio mundo que eles também gostassem de ter. O rapaz começou a afastar a caruma do chão , até deixar descoberto um retângulo de terra limpa. Depois pegou num galho seco e escreveu quatro letras: G, E, L, A. 
     - O que é isso? – perguntou a rapariga. 
    - Isto é o teu nome. Se me estás a ensinar o que sabes, creio que também posso fazer o mesmo. Contarás tu as histórias do teu povo.»