Mostrar mensagens com a etiqueta bibliotecas. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta bibliotecas. Mostrar todas as mensagens

domingo, 8 de novembro de 2015

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PARA QUEM GOSTA DE LIVROS E DE ARTE: [CON]TEXTO : A ARTE, A PALAVRA E O LIVRO NA BMAG ATÉ 15 DE NOVEMBRO


«[CON]TEXTO is an exhibition organized around Art and Text, a combination of lettering and image in which the subject of the piece is often an intersection between literature, linguistic and philosophy. This is a configuration that conceptual art uses to define ART AS PROCESS. The use of the written language, the result of a “blurring” of artistic borders, was one of the most notable developments in the visual arts in the 20th Century. It includes images “made entirely from typographical elements” and is now accepted by historians as being an important bridge between art and design. In adopting it as a tool of self-expression, in its interaction with the written language and the image, one examines the use of words or language (including translation), as applied to many artistic mediums and genres - from painting to the book, sculpture, installation, video and even performance. This exhibition questions the meaning of the “invasion” of some disciplines by others, how one or more forms of expression may combine and which messages are being transmitted to the viewer. Besides this, other important themes that are also addressed include the naming or titling of the work, the use of narrative in art and the literary connections and artists’ aspirations. The exhibition is bases on the artworks owned by the Galeria Luís Serpa Projetos and by the Coleção Serpa (Serpa Collection).»
Luís Serpa


Com obras de NANCY DWYER, CLAUDIA FISCHER, GERHARD MERZ, MICHELANGELO PISTOLETTO, HAMISH FULTON, JOSEPH KOSUTH, MIGUEL PALMA, LUÍSA CUNHA, GRAÇA PEREIRA COUTINHO, MARIE BOVO, LARA ALMÁRCEGUI, JUAN MUÑOZ, MIGUEL NAVAS, LUÍS CAMPOS, PEDRO CALAPEZ.

Curadores: LUÍS SERPA E ANDRÉ SERPA



Entrada gratuita!

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

EM DEFESA DAS BIBLIOTECAS

Facsimile do "Bestiário" - Biblioteca Bodleiana - Oxford

A crise não nos afeta apenas a nós. Também em Inglaterra, o país das bibliotecas públicas, os cortes financeiros têm vindo a afetar estas estruturas que tanto fizeram pelos seus cidadãos. E também ali, vozes se levantam em defesa das bibliotecas. É o caso de Philip Pullman, autor de His Dark Materials e The Golden Compass, que não se conteve e, numa reunião decorrida a 20 de janeiro, foi implacável na defesa das bibliotecas de Oxford:

I love the public library service for what it did for me as a child and as a student and as an adult. I love it because its presence in a town or a city reminds us that there are things above profit, things that profit knows nothing about, things that have the power to baffle the greedy ghost of market fundamentalism, things that stand for civic decency and public respect for imagination and knowledge and the value of simple delight.

[Amo o serviço da biblioteca pública pelo que fez por mim enquanto criança, enquanto estudante e enquanto adulto. Amo-o porque a sua presença numa vila ou cidade lembra-nos que há coisas acima do lucro, coisas de que o lucro não entende nada, coisas que têm o poder de confundir o fantasma ganancioso do fundamentalismo do mercado, coisas que se destacam pela decência cívica e pública, pelo respeito pela imaginação e pelo conhecimento e pelo valor do simples prazer.]

Ler mais AQUI!
Ler AQUI uma história muito interessante sobre o valor das bibliotecas (em inglês).

SABER MAIS:

FACSIMILE ou FAC-SIMILE (do Latim "fac simile" - "faz igual") - Edição nova, frequentemente de um livro antigo, que apresenta uma reprodução exata da edição original, incluindo fontes de letras, escala, ilustrações e paginação.

BESTIÁRIOS - Tipo de literatura descritiva do mundo animal. Catálogos manuscritos realizados pelos monges católicos, que reuniam informação sobre animais reais e fantásticos, tal como o aspeto, o habitat em que viviam, o tipo de relação que tinham com a natureza e a sua dieta alimentar.

A caça ao unicórnio - Iluminura
do Bestiário de Rochester - séc. XIII

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

"AS BIBLIOTECAS", POR VALTER HUGO MÃE

   

   Agora que o ano letivo está prestes a começar, convidamos-te a visitar a nossa e outras bibliotecas, pois, como lembra Valter Hugo Mãe...

     As bibliotecas são como aeroportos. São lugares de viagem. Entramos numa biblioteca como quem está a ponto de partir. E nada é pequeno quando tem uma biblioteca. O mundo inteiro pode ser convocado à força dos seus livros. 
     Todas as coisas do mundo podem ser chamadas a comparecer à força das palavras, para existirem diante de nós como matéria da imaginação. As bibliotecas são do tamanho do infinito e sabem toda a maravilha.
     Os livros são família direta dos aviões, dos tapetes-voadores ou dos pássaros. Os livros são da família das nuvens e, como elas, sabem tornar-se invisíveis enquanto pairam, como se entrassem para dentro do próprio ar, a ver o que existe dentro do ar que não se vê. 
     O leitor entra com o livro para dentro do ar que não se vê. 
     Com um pequeno sopro, o leitor muda para o outro lado do mundo ou para outro mundo, do avesso da realidade até ao avesso do tempo. Fora de tudo, fora da biblioteca. As bibliotecas não se importam que os leitores se sintam fora das bibliotecas. 
     Os livros são toupeiras, são minhocas, eles são troncos caídos, maduros de uma longevidade inteira, os livros escutam e falam ininterruptamente. São estações do ano, dos anos todos, desde o princípio do mundo e já do fim do mundo. Os livros esticam e tapam furos na cabeça. Eles sabem chover e fazer escuro, casam filhos e coram, choram, imaginam que mais tarde voltam ao início, a serem como crianças. Os livros têm crianças ao dependuro e giram como carrosséis para as ouvir rir. Os livros têm olhos para todos os lados e bisbilhotam o cima e baixo, o esquerda e direita de cada coisa ou coisa nenhuma. Nem pestanejam de tanta curiosidade. Querem ver e contar. Os livros é que contam. 
     As bibliotecas só aparentemente são casas sossegadas. O sossego das bibliotecas é a ingenuidade dos incautos. Porque elas são como festas ou batalhas contínuas e soam trombetas a cada instante e há sempre quem discuta com fervor o futuro, quem exija o futuro e seja destemido, merecedor da nossa confiança e da nossa fé. 
     Adianta pouco manter os livros de capas fechadas. Eles têm memória absoluta. Vão saber esperar até que alguém os abra. 
Até que alguém se encoraje, esfaime, amadureça, reclame direito de seguir maior viagem. E vão oferecer tudo, uma e outra vez, generosos e abundantes. Os livros oferecem o que são, o que sabem, uma e outra vez, sem refilarem, sem se aborrecerem de encontrar infinitamente pessoas novas. Os livros gostam de pessoas que nunca pegaram neles, porque têm surpresas para elas e divertem-se a surpreender. Os livros divertem-se. 
     As pessoas que se tornam leitoras ficam logo mais espertas, até andam três centímetros mais altas, que é efeito de um orgulho saudável de estarem a fazer a coisa certa. Ler livros é uma coisa muito certa. As pessoas percebem isso imediatamente. E os livros não têm vertigens. Eles gostam de pessoas baixas e gostam de pessoas que ficam mais altas. 
     Depois da leitura de muitos livros pode ficar-se com uma inteligência admirável e a cabeça acende como se tivesse uma lâmpada dentro. É muito engraçado. Às vezes, os leitores são tão obstinados com a leitura que nem acendem a luz. Ficam com o livro perto do nariz a correr as linhas muito lentamente para serem capazes de ler. Os leitores mesmo inteligentes aprendem a ler tudo. Leem claramente o humor dos outros, a ansiedade, conseguem ler as tempestades e o silêncio, mesmo que seja um silêncio muito baixinho. Os melhores leitores, um dia, até aprendem a escrever. Aprendem a escrever livros. São como pessoas com palavras por fruto, como as árvores que dão maçãs ou laranjas. Dão palavras que fazem sentido e contam coisas às outras pessoas. Já vi gente a sair de dentro dos livros. Gente atarefada até com mudar o mundo. Saem das palavras e vestem-se à pressa com roupas diversas e vão porta fora a explicar descobertas importantes. Muita gente que vive dentro dos livros tem assuntos importantes para tratar.                 Precisamos de estar sempre atentos. Às vezes, compete-nos dar despacho. Sim, compete-nos pôr mãos ao trabalho. Mas sem medo. O trabalho que temos pela escola dos livros é normalmente um modo de ficarmos felizes. 
     Este texto é um abraço especial à biblioteca da escola Frei João, de Vila do Conde, e à biblioteca do Centro Escolar de Barqueiros, concelho de Barcelos. As pessoas que ali leem livros saberão porquê. Não deixa também de ser um abraço a todas as demais bibliotecas e bibliotecários, na esperança de que nada nos convença de que a ignorância ou o fim da fantasia e do sonho são o melhor para nós e para os nossos. Ler é esperar por melhor. 
Valter Hugo Mãe 
("Jornal de Letras", 15 a 28 de maio)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

RECEÇÃO AOS ALUNOS DO 4.º ANO

             


   Os últimos dias foram muito especiais: recebemos todos os alunos das turmas de 4.º ano das Escolas Augusto Lessa, Costa Cabral e Covelo!
  Os alunos, na companhia dos seus professores, visitaram a nossa escola, onde realizaram diversas atividades, e, como não podia deixar de ser, também visitaram a nossa biblioteca!
    Aqui, foram convidados a fazer uma viagem por todos os continentes, onde visitaram bibliotecas espantosas. Depois, olhinhos atentos e curiosos viajaram até à Nova Zelândia e ficaram a saber as vantagens de consultar um dicionário. No fim da visita, sabiam que um quivi (“kiwi” em inglês e maori) não é só um fruto ou a planta que no-lo dá: é também uma ave em vias de extinção que os neozelandeses prezam muito, pois é o símbolo nacional do seu país, que fica do outro lado do mundo.
       Esperamos ver muitas vezes estes alunos na nossa escola, pois gostámos muito de os receber!

quinta-feira, 26 de julho de 2012

VALE A PENA PENSAR NISTO: MANIFESTO ANTI-LEITURA [?]

MANIFESTO ANTI-LEITURA
POR
JOSÉ FANHA

“UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE PENSA!

UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE DUVIDA!

UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE QUESTIONA!

UMA GERAÇÃO QUE LÊ É UMA GERAÇÃO QUE CRITICA!

UMA GERAÇÃO QUE PENSA E DUVIDA E QUESTIONA E CRITICA NÃO ENGOLE QUALQUER PATRANHA QUE LHE QUEIRAM ENFIAR! NÃO OBEDECE! NÃO SE BAIXA! NÃO SE CALA! UMA GERAÇÃO QUE LÊ E PENSA É UM PERIGO[…]

A LEITURA FAZ-NOS VIAJAR POR LUGARES MAL FREQUENTADOS COMO A ILHA DO TESOURO, O BECO DAS SARDINHEIRAS DO MÁRIO DE CARVALHO, OS MARES DO ‘MOBY DICK’, A BUENOS AIRES DE BORGES, A PARIS DE MARCEL PROUST, A LONDRES DE OSCAR WILDE, A MOSCOVO DE TOLSTOI!

A LEITURA FAZ-NOS RIR DE PESSOAS SÉRIAS E RESPONSÁVEIS COMO O CONDE DE ABRANHOS, O SANCHO PANÇA OU O ESCRITURÁRIO BARTHLEBY. […]

A LEITURA PREJUDICA GRAVEMENTE A IGNORÂNCIA!

E SEM IGNORÂNCIA O PAÍS NÃO PROGRIDE! NÃO CRESCEM OS JUROS! NÃO SE INVESTE NAS OFF-SHORES! O ESTADO NÃO VENDE EMPRESAS ABAIXO DO PREÇO AOS PARTICULARES! O PREÇO DA GASOLINA NÃO SOBE! […]

SE PUSEREM UM LIVRO À VOSSA FRENTE, CAROS AMIGOS, CUIDADO! DESVIEM O OLHAR! NÃO ABRAM NEM UMA PÁGINA! PODE BASTAR UM VERSO PARA VOS CONTAMINAR! UM HOMEM QUE LÊ PODE DESEJAR VIVER NUM MUNDO MELHOR! PODE DE REPENTE SENTIR AS LÁGRIMAS CORREREM-LHE PELA CARA ABAIXO! PODE QUERER SUBITAMENTE AJUDAR OS AFLITOS! PODE ABRAÇAR ESTUPIDAMENTE UM AMIGO OU BEIJAR OS LÁBIOS DE UMA RAPARIGA BELA COMO UM RAIO DE SOL A ILUMINAR A MAIS BELA ROSA DO JARDIM!
POR ISSO É PRECISO FECHAR AS PORTAS AOS ANTROS DE LEITURA [AS BIBLIOTECAS]!
SABEMOS QUE PODE PARECER DOLOROSO MAS É FUNDAMENTAL ARRANCAR DE VEZ OS LIVROS DAS MÃOS DOS VICIADOS E IMPEDI-LOS DE LER UMA LINHA SEQUER! SE FOR PRECISO TAPEM-LHES OS OLHOS! É PRECISO PREPARAR O FUTURO DOS NOSSOS FILHOS! NÃO LHES DAR ILUSÕES, NEM SONHOS, NEM ALEGRIAS! NEM DÚVIDAS, NEM SABEDORIA, NEM NADA!"

JOSÉ FANHA
POETA DO SÉC. XXI 
TUDO


URL das imagens:
http://4.bp.blogspot.com/-IZ1t_U1XPjc/TbJiMWmzncI/AAAAAAAAI28/VKp5FsI8IpM/s1600/jose_fanha_zorate.png


José Fanha declamando "Eu sou português aqui":




quarta-feira, 4 de julho de 2012

SOBRE ÁRVORES, LIVROS E BIBLIOTECAS

  As árvores e os livros




As árvores como os livros têm folhas
e margens lisas ou recortadas,
e capas (isto é copas) e capítulos
de flores e letras de oiro nas lombadas.

E são histórias de reis, histórias de fadas,
as mais fantásticas aventuras,
que se podem ler nas suas páginas,
no pecíolo, no limbo, nas nervuras.

As florestas são imensas bibliotecas,
e até há florestas especializadas,
com faias, bétulas e um letreiro
a dizer: «Floresta das zonas temperadas».

É evidente que não podes plantar
No teu quarto, plátanos ou azinheiras.
Para começar a construir uma biblioteca,
Basta um vaso de sardinheiras.


Jorge Silva Braga, in Hervário
Lisboa: Assírio & Alvim, 2002.

domingo, 27 de maio de 2012

BIBLIOTECAS E LIVROS


Nunca nos cansaremos de falar de bibliotecas e de livros.
Por isso, deixamos-te aqui este pequeno mas belíssimo poema de José Fanha:

                                                                  Todas as Bibliotecas 

                                                   Todas as bibliotecas estão cheias de lágrimas
                                                   E crinas de cavalos verdes

                                                   Todas elas são forradas
                                                   Com o canto proibido das sereias.

                                                   Em todas elas
                                                   – repara –
                                                   Os livros são labaredas
                                                   No silêncio das paredes

                                                                                                                          Fanha (2002). Tempo Azul
Campo das Letras
Fonte da imagem:  
http://www.bibliotecaspublicas.es/sanjavier/seccont_88804.htm



sábado, 19 de maio de 2012

VALE A PENA PENSAR NISTO...


Jorge Luis Borges in 1951

“Tenho a suspeita de que a espécie humana – a única – está prestes a extinguir-se e que a Biblioteca perdurará: iluminada, solitária, infinita, perfeitamente imóvel, armada de volumes preciosos, inútil, incorruptível, secreta. “
Jorge Luis Borges, escritor, ensaísta, poeta, professor de literatura 
e diretor da Biblioteca Pública Nacional de Buenos Aires, Argentina.

Este homem extraordinário dialogou, na sua produção literária, com grandes poetas, como é o caso de Luís de Camões. Eis o poema que lhe dedicou:
                                                                    A Luis de Camoens

                                                                    Sin lástima y sin ira el tiempo mella
                                                                    las heroicas espadas. Pobre y triste
                                                                    a tu patria nostálgica volviste,
                                                                    oh capitán, para morir en ella

                                                                    y con ella. En el mágico desierto
                                                                    la flor de Portugal se había perdido
                                                                    y el áspero español, antes vencido,
                                                                    amenazaba su costado abierto.

                                                                    Quiero saber si aquende la ribera
                                                                    última comprendiste humildemente
                                                                    que todo lo perdido, el Occidente

                                                                    y el Oriente, el acero y la bandera,
                                                                    perduraría (ajeno a toda humana
                                                                    mutación) en tu Eneida lusitana.

                                                                                                    Jorge Luis Borges, El hacedor

domingo, 8 de janeiro de 2012

O QUE É UMA BIBLIOTECA?

Delicia-te com as respostas...

O que é uma Biblioteca?
Será qualquer conjunto de livros uma Biblioteca?

     Toda a gente sabe o que é uma Biblioteca. Os gregos, que lhe puseram o nome, escolheram Biblos de livro e  teca de depósito. Ou de cofre. Cofre de livros. Gosto desta ideia. Cofre é um local onde guardamos coisas que queremos ver seguras. E que objetos mais valiosos para a Humanidade pode haver do que os livros? Nos livros encontramos informações sobre todas as descobertas, todos os sonhos, todos os avanços, toda a História das mulheres e dos homens que têm povoado, vivido no nosso planeta. Com o andar dos anos, na Biblioteca se foram guardando também outros suportes que podem conter informação preciosa sobre a Humanidade: os jornais, os CDs, os filmes, os DVDs, os livros em formato digital ….
     Quando eu era pequena e descobri que sabia ler, considerei que a partir daí nunca mais ninguém me poderia limitar, proibir ou vencer! Adorava que me castigassem e me mandassem para o meu quarto porque lá podia ler, ler, ler… Receio até que tenha tido a ousadia de provocar alguns castigos só pelo prazer de ler e me sentir indescritivelmente livre! A Biblioteca, a minha pequena biblioteca era nessa altura mais do que nunca, o meu cofre de livros, a minha Ilha do Tesouro, a minha Caverna de Ali Babá, o local onde as mais fantásticas jóias, os livros, me aguardavam para me enfeitarem a imaginação. Não gostava, nessa altura, que me emprestassem livros, nem gostava de os emprestar. E jurei a mim própria que iria ser dona de todos os livros que lesse ao longo da minha vida. Quando alguém me quisesse conhecer melhor, eu mostraria a minha biblioteca e pelos livros adormecidos nas estantes, qualquer pessoa ficaria a saber que tipo de pessoa eu era. Uma espécie de “Diz-me o que leste, dir-te-ei quem és!”
     À medida que fui crescendo, tive, no entanto, de ler muitos livros para descobrir que não gostava nada deles e decidi então separá-los em estantes para poder explicar que daqueles não gostara nada! Também aí me enganei! É que alguns livros de que não gostara, lidos anos mais tarde, vieram a revelar-se fantásticos e emocionantes!
     Seja como for, todos juntos ou separados, esses livros foram construindo a minha Biblioteca pessoal. Agora, que estou mais velha e portanto mais madura, mudei de novo de opinião. Para quê ter tantos livros, esquecidos nas estantes? Não será muito melhor fazê-los circular e permitir que possam enriquecer outras pessoas? A minha biblioteca está agora a transformar-se num local onde só vão ficando os livros que amo e mesmo esses, por vezes, vão dar umas voltas com as pessoas que estimo, a quem os empresto com muito prazer.
     Bem, mas se calhar, fugi ao assunto… Uma Biblioteca de uma escola, de uma Universidade, de uma cidade, de um país, é muito mais importante. Ela guarda e disponibiliza aos leitores um tesouro muito maior que o meu e tem de ter obras variadas: de referência, como dicionários, gramáticas, enciclopédias, volumes de reconhecido mérito científico sobre as várias áreas do saber, da História à Geografia, da Biologia à Química, romances, aventuras, poesia e tantos outros temas que ficaria aqui uma eternidade a enumerá-los.
     Uma Biblioteca, em jeito de conclusão, é um local de encontro entre a sabedoria e o conhecimento que herdámos do Passado, os amores e os desamores que os escritores ousaram escrever e os nossos próprios sonhos de Futuro.
Professora Fátima Neto