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domingo, 14 de fevereiro de 2016

O DIA DE NAMORADOS RIMA COM POESIA!

Ilustração de Janice Fried







As manhãs de nevoeiro
São boas para namorar.
Não se perde nem um beijo,
Ficam suspensos no ar.

Luísa Dacosta, Na Água do Tempo








NOTA 4

Se tu amas por causa da beleza, então não me ames!
Ama o Sol que tem cabelos doirados!
Se tu amas por causa da juventude, então não me ames!
Ama a Primavera que fica nova todos os anos!
Se tu amas por causa dos tesouros, então não me ames!
Ama a Mulher do Mar: ela tem muitas pérolas claras!
Se tu amas por causa da inteligência, então não me ames!
Ama Isaac Newton: ele escreveu os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural!
Mas se tu amas por causa do amor, então sim, ama-me!
Ama-me sempre: amo-te para sempre!
                                                                                                           Adília Lopes

Ilustração de Sandi Fitzgerald

                                         POVOAMENTO

                                         No teu amor por mim há uma rua que começa
                                         Nem árvores nem casas existiam
                                         antes que tu tivesses palavras
                                         e todo eu fosse um coração para elas
                                         Invento-te e o céu azula-se sobre esta
                                         triste condição de ter de receber
                                         dos choupos onde cantam
                                         os impossíveis pássaros
                                         a nova primavera
                                         Tocam sinos e levantam voo
                                         todos os cuidados
                                         Ó meu amor nem minha mãe
                                         tinha assim um regaço
                                         como este dia tem
                                         E eu chego e sento-me ao lado
                                         da primavera

                                         Ruy Belo, in Aquele Grande Rio Eufrates

Ilustração de Sami Briss


FEITIÇO VIRADO                                     

Ao luar,
a sombra da tua mão
alongou-se pelo chão.

Boneca-miniatura
na palma de mão gigante,
pisei, maldosa, a escura
sombra distante.

E daí, por sugestão,
foi que em mim nasceu, cresceu
esta triste condição
de te crer maior do que eu.
                       
                     Fernanda Botelho


quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

OUTROS POEMAS DE AMOR PARA TE INSPIRARES...

Ilustração de Rebekka Ivacson
Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca tardando-lhe o beijo morria.
Quanto à boca da noite surgiste na tarde qual rosa tardia
Quando nós nos olhamos, tardamos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficamos unidos, ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia.

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça
E o meu corpo te guarde.
Meu amor, meu amor,
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria
Ou se és a tristeza.
Meu amor, meu amor,
Eu não tenho a certeza!
(…)
Ary dos Santos, As palavras das cantigas

Ilustração de Anna Silivonchik

                                              Não Estejas Longe de Mim um Dia que Seja
                                         Não estejas longe de mim um dia que seja, porque, 
                                                      porque, não sei dizê-lo, é longo o dia, 
                                                     e estarei à tua espera como nas estações 
                                            quando em algum sitio os comboios adormeceram. 

Não te afastes uma hora porque então 
nessa hora se juntam as gotas da insónia
e talvez o fumo que anda à procura de casa 
venha matar ainda meu coração perdido. 

Ai que não se quebre a tua silhueta na areia, 
ai que na ausência as tuas pálpebras não voem: 
não te vás por um minuto, ó bem-amada, 

porque nesse minuto terás ido tão longe 
que atravessarei a terra inteira perguntando 
se voltarás ou me deixarás morrer. 


Pablo Neruda, Cem Sonetos de Amor


Ilustração de Ota Janecek
Amo-te Sem Saber Como
Não te amo como se fosses rosa de sal, topázio
ou seta de cravos que propagam o fogo:
amo-te como se amam certas coisas obscuras,
secretamente, entre a sombra e a alma.

Amo-te como a planta que não floriu e tem
dentro de si, escondida, a luz das flores,
e, graças ao teu amor, vive obscuro em meu corpo
o denso aroma que subiu da terra.

Amo-te sem saber como, nem quando, nem onde,
amo-te directamente sem problemas nem orgulho:
amo-te assim porque não sei amar de outra maneira,

a não ser deste modo em que nem eu sou nem tu és,
tão perto que a tua mão no meu peito é minha,
tão perto que os teus olhos se fecham com meu sono.

Pablo Neruda, Cem Sonetos de Amor

Ilustração de Montserrat Gudiol
Pergunta-me
Pergunta-me
se ainda és o meu fogo 
se acendes ainda 
o minuto de cinza 
se despertas 
a ave magoada 
que se queda 
na árvore do meu sangue 

Pergunta-me 
se o vento não traz nada 
se o vento tudo arrasta 
se na quietude do lago 
repousaram a fúria 
e o tropel de mil cavalos 

Pergunta-me 
se te voltei a encontrar 
de todas as vezes que me detive 
junto das pontes enevoadas 
e se eras tu 
quem eu via 
na infinita dispersão do meu ser 
se eras tu 
que reunias pedaços do meu poema 
reconstruindo 
a folha rasgada 
na minha mão descrente 

Qualquer coisa 
pergunta-me qualquer coisa 
uma tolice 
um mistério indecifrável 
simplesmente 
para que eu saiba 
que queres ainda saber 
para que mesmo sem te responder 
saibas o que te quero dizer 

Mia Couto, Raiz de Orvalho





A Rainha
Nomeei-te rainha.
Há maiores do que tu, maiores.
Há mais puras do que tu, mais puras.
Há mais belas do que tu, há mais belas.

Mas tu és a rainha.

Quando andas pelas ruas
ninguém te reconhece.
Ninguém vê a tua coroa de cristal, ninguém olha
a passadeira de ouro vermelho
que pisas quando passas,
a passadeira que não existe.

E quando surges
todos os rios se ouvem
no meu corpo,
sinos fazem estremecer o céu,
enche-se o mundo com um hino.

Só tu e eu,
só tu e eu, meu amor,
o ouvimos.

Pablo Neruda, Poemas de Amor de Pablo Neruda


O Segredo é Amar

O segredo é amar. Amar a Vida
com tudo o que há de bom e mau em nós.
Amar a hora breve e apetecida,
ouvir os sons em cada voz
e ver todos os céus em cada olhar.

Amar por mil razões e sem razão.
Amar, só por amar,
com os nervos, o sangue, o coração.
Viver em cada instante a eternidade
e ver, na própria sombra, claridade.

O segredo é amar, mas amar com prazer,
sem limites, fronteiras, horizonte.
Beber em cada fonte,
florir em cada flor,
nascer em cada ninho,
sorver a terra inteira como o vinho.

Amar o ramo em flor que há-de nascer,
de cada obscura, tímida raiz.
Amar em cada pedra, em cada ser,
S. Francisco de Assis.

Amar o tronco, a folha verde,
amar cada alegria, cada mágoa,
pois um beijo de amor jamais se perde
e cedo refloresce em pão, em água!

Fernanda de Castro, Trinta e Nove Poemas

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

POESIA PARA ENAMORADOS

Com o Dia dos Namorados, chega também a poesia!

Ilustração de Sandra Bierman (via Bibliocolors)

                                                Agora que Sinto Amor

                                                Agora que sinto amor
                                                Tenho interesse no que cheira.
                                                Nunca antes me interessou que uma flor tivesse cheiro.
                                                Agora sinto o perfume das flores como se visse uma coisa nova.
                                                Sei bem que elas cheiravam, como sei que existia.
                                                São coisas que se sabem por fora.
                                                Mas agora sei com a respiração da parte de trás da cabeça.
                                                Hoje as flores sabem-me bem num paladar que se cheira.
                                                Hoje às vezes acordo e cheiro antes de ver.

                                                                                   Alberto Caeiro, in O Pastor Amoroso

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

NO DIA DOS NAMORADOS...

Imagem  Christy Nichols (TheReaderBee)

Se amas alguém,
Deixa-o(a) ler!


Por exemplo, poemas de amor!

Transforma-se o amador na cousa amada,
Por virtude do muito imaginar;
Não tenho logo mais que desejar,
Pois em mim tenho a parte desejada.

Se nela está minha alma transformada,
Que mais deseja o corpo de alcançar?
Em si somente pode descansar,
Pois consigo tal alma está liada.

Mas esta linda e pura semideia,
Que, como o acidente em seu sujeito,
Assim como a alma minha se conforma,

Está no pensamento como ideia;
E o vivo e puro amor de que sou feito,
Como a matéria simples busca a forma.

            Luís de Camões (1524? – 1580)

Nascemos para amar; a humanidade
Vai tarde ou cedo aos laços da ternura:
Tu és doce atrativo, ó formosura,
Que encanta, que seduz, que persuade.

Enleia-se por gosto a liberdade;
E depois que a paixão n’alma se apura
Alguns então lhe chamam desventura,
Chamam-lhe alguns então felicidade.

Qual se abismou nas lôbregas tristezas,
Qual em suaves júbilos discorre,
Com esperanças mil na ideia acesas.

Amor ou desfalece, ou para, ou corre;
E, segundo as diversas naturezas,
Um porfia, este esquece, aquele morre.

Manuel Maria Barbosa du Bocage (1765-1805)

Quando nós vamos ambos, de mãos dadas,
Colher nos vales lírios e boninas,
E galgamos de um fôlego as colinas
Do rocio da noite inda orvalhadas;

Ou vendo o mar, das ermas cumeadas,
Contemplamos as nuvens vespertinas,
Que parecem fantásticas ruínas
Ao longe no horizonte amontoadas;

Quantas vezes, de súbito, emudeces!
Não sei que luz no teu olhar flutua;
Sinto tremer-te a mão, e empalideces…

O vento e o mar murmuram orações
E a poesia das cousas se insinua
Lenta e amorosa em nossos corações.

Antero de Quental (1842-1891)

                          O amor é uma companhia. 
                          Já não sei andar só pelos caminhos,
                          Porque já não posso andar só.
                          Um pensamento visível faz-me andar mais depressa
                          E ver menos, e ao mesmo tempo gostar bem de ir vendo tudo.
                          Mesmo a ausência dela é uma coisa que está comigo.
                          E eu gosto tanto dela que não sei como a desejar.
                          Se não a vejo, imagino-a e sou forte como as árvores altas.
                          Mas se a vejo tremo, não sei o que é feito do sinto na ausência dela.
                          Todo eu sou qualquer força que me abandona.
                          Toda a realidade olha para mim como um girassol com a cara dela no meio.

                          Alberto Caeiro - heterónimo de Fernando Pessoa (1888-1935)

Cuidado. O amor
é um pequeno animal
desprevenido, uma teia
que se desfia
pouco a pouco. Guardo
silêncio
para que possam ouvi-lo
desfazer-se.

Casimiro de Brito (n. 1938)

                                                     AMOR COMO EM CASA
                                                     Regresso devagar ao teu
                                                     sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
                                                     não é nada comigo. Distraído percorro
                                                     o caminho familiar da saudade,
                                                     pequeninas coisas me prendem,
                                                     uma tarde num café, um livro. Devagar
                                                     te amo e às vezes depressa,
                                                     meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
                                                     regresso devagar a tua casa,
                                                     compro um livro, entro no
                                                     amor como em casa.
   
                                                     Manuel António Pina (1943-2012)

AQUI poemas em inglês adequados ao dia de hoje!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

DIA DE S. VALENTIM


Escultura de Isaac Salazar


Celebra-se hoje, dia 14 de fevereiro, o Dia dos Namorados ou Dia de S. Valentim. 
Por essa razão é talvez seja importante saberes a… 


LENDA DE S. VALENTIM 

     Acreditando que os solteiros eram melhores combatentes, o imperador Cláudio II, proibiu o casamento durante as guerras. O bispo Valentim lutou contra as suas ordens e continuou a celebrar casamentos. 
     A prática foi descoberta e Valentim foi preso e condenado à morte. Enquanto esteve na prisão, teria recebido muitas mensagens de encorajamento e flores das pessoas que acreditavam no amor. 
     Durante a prisão, Júlia, filha do seu carcereiro e cega de nascença, visitava-o com alguma frequência, levava-lhe comida e conversava com ele. Diz a história que Valentim, sensibilizado com o problema de Júlia, implorou diariamente a Deus para que a fizesse recuperar a visão. 
     Certo dia, durante uma das suas visitas, uma luz iluminou a cela e Júlia começou a chorar e… a ver. Perante este milagre, toda a sua família se converteu ao Cristianismo, mas Cláudio II acabou por condenar S. Valentim à morte, que se deu a 14 de Fevereiro de 269 d.C.. S. 
     Desde então, Valentim passou a ser considerado o mártir protetor dos namorados. 

Geralmente, associam-se a este dia vários símbolos:




O CORAÇÃO



Antigamente acreditava-se que o coração era o cofre de todas as emoções. Por isso, a oferta de um coração significava dar tudo à pessoa amada. Embora as pessoas de outros tempos não tivessem consciência de que o coração era responsável pela circulação do sangue, tinham a certeza de que o coração era o centro dos sentimentos. E a crença perdura até hoje!

                          

CUPIDO, O DEUS DO AMOR

Cupido
O amor e a atração que um homem e uma mulher sentem é tradicionalmente associado a Cupido, sendo que, em latim, “cupido” significa “desejo”.
Cupido é representado por um rechonchudo anjo nu, alado e de sorriso travesso, que transporta um arco e uma aljava de setas,  utilizadas para atingir e transfigurar os corações dos humanos.





                                                     

 AS ROSAS


Desde tempos imemoriais que os apaixonados têm sido comparados a rosas. Se invertermos as letras da palavra ROSE (rosa, em inglês e francês) obtemos… EROS, ou seja, o Deus do Amor. Assim, não admira que as rosas sejam uma escolha tradicional para os enamorados de todo o mundo.



"AMO-TE!", "I LOVE YOU", JE T'AIME", "TE QUIERO" ou "ICH LIEBE DICH"?

Embora estes símbolos sejam universais, cada língua tem a sua forma de dizer "Amo-te!".
Se queres saber como se diz "Amo-te" em diversas línguas, incluindo a língua gestual portuguesa, dirige-te à vitrina da nossa ludoteca, onde podes descobri-lo!

CARTAS DE AMOR... RIDÍCULAS?

E como noutros tempos era comum escreverem-se cartas de amor, deixamos-te com o poema "Todas as cartas de amor são ridículas", de Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa...

 Todas as Cartas de Amor são Ridículas

                                                            Todas as cartas de amor são
                                                            Ridículas.
                                                            Não seriam cartas de amor se não fossem
                                                            Ridículas.

                                                            Também escrevi em meu tempo cartas de amor,
                                                            Como as outras,
                                                            Ridículas.

                                                           As cartas de amor, se há amor,
                                                           Têm de ser
                                                           Ridículas.

                                                           Mas, afinal,
                                                           Só as criaturas que nunca escreveram
                                                           Cartas de amor
                                                           É que são
                                                           Ridículas

                                                           Quem me dera no tempo em que escrevia
                                                           Sem dar por isso
                                                           Cartas de amor
                                                           Ridículas.

                                                           A verdade é que hoje
                                                           As minhas memórias
                                                           Dessas cartas de amor
                                                           É que são
                                                           Ridículas.

                                                          (Todas as palavras esdrúxulas,
                                                          Como os sentimentos esdrúxulos,
                                                          São naturalmente
                                                          Ridículas.)

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa