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terça-feira, 19 de abril de 2016

CONCURSO NACIONAL DE LEITURA: VOANDO COM AS PALAVRAS

Hoje foi dia de lermos. Foi dia de lermos e de nos emocionarmos com as palavras escritas e lidas. Foi dia da fase distrital do Concurso Nacional de Leitura!


Tal como sucedeu nos anos anteriores, três dos nossos alunos – a Ana Catarina Monteiro, a Gabriela Ferreira e o Mário Carvão – participaram na fase distrital do Concurso Nacional de Leitura, a par de várias centenas de alunos do 3.º ciclo e do ensino secundário do distrito do Porto: aos alunos do nosso concelho, juntaram-se os seus pares da Maia, de Gaia, do Baião, de Penafiel, de Matosinhos, da Trofa… para celebrarem a festa da leitura em conjunto, acompanhados por professores e bibliotecários das respetivas escolas.
Da parte da manhã, os nossos jovens leitores realizaram as provas escritas, visando a seleção dos cinco finalistas de cada nível. Não foi fácil encontrar os vencedores – muitos empates nas pontuações cimeiras obrigaram à leitura e releitura dos textos criados pelos estudantes a partir dos temas centrais das obras lidas. Os dez vencedores foram, ao início da tarde, submetidos às provas orais, conduzidas por Carla Teixeira, José António Gomes e Maria Cabral: graças à qualidade dos finalistas e dos seus interlocutores, assim começava uma tarde em que o trotar apressado dos ponteiros do relógio ficou suspenso para voarmos através das palavras, que nos deixaram de coração aquecido e com vontade de mudar o mundo a partir dos livros lidos.


Não existe nada mais poderoso que as palavras
Palavras de Tirésias, personagem de
Mopsos, o pequeno grego, de Hélia Correia

AS PROVAS ORAIS
A tarde não podia ter começado da melhor forma: interpelados pelo júri, os finalistas começaram por defender pontos de vista acerca das obras lidas; em seguida, leram expressivamente excertos marcantes de Supergigante, Mopsos - o pequeno grego, Boa noite, Senhor Soares e O retorno; por último, cada finalista encarnou uma das personagens de um dos livros que leu. Uns recriaram os protagonistas, como Mopsos ou Edgar; outros, porém, optaram por dar a vez e a voz a personagens secundárias, como a infeliz tia de Edgar, a tia Clara, vítima da falta de afeto, tantas vezes referida na obra Supergigante.
Todos os finalistas mostraram os vínculos afetivos que criaram com as obras lidas, deixando-nos com vontade de também conhecermos as histórias contadas por Ana Pessoa, Hélia Correia, Mário Cláudio e Dulce Maria Cardoso, que, como toda a grande literatura, tiveram o poder de nos transportar para tempos e lugares distintos e de nos dar a conhecer um pouco mais da alma humana. Os finalistas surpreenderam-nos e emocionaram-nos, conduzindo-nos pelos meandros de narrativas que nos dão a conhecer grandes momentos da nossa História, mas também destinos individuais, tantas vezes paralelos aos nossos próprios destinos.



Ler pode não ser tão divertido como jogar no computador,
mas ler ajuda-nos a olhar para nós próprios e a crescer.
Dá-nos mais possibilidades de escolha.
                                                                                                          Ana Saldanha

UMA SELFIE MUITO ESPECIAL
Alguns dos participantes neste concurso tiveram o privilégio de participar em workshops iniciados da parte da manhã e prolongados à tarde. Foi o caso do nosso Mário, que participou na oficina de escrita criativa “O eu(s) e e o(s) outro(s)”, concebida e  dinamizada pela escritora Ana Saldanha. Num processo de criação de texto dramático e de aprendizagem de olhar para si próprios e para os que os rodeiam, o Mário e um conjunto de alunos de outras escolas criaram um texto, que apresentaram a uma plateia repleta e atenta. Uma primeira experiência em palco. Certamente, uma experiência para recordar durante muito tempo.



Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
                                                                                            Ruy Belo

VOZ E POESIA. SEMPRE A POESIA!
            Em seguida, após aquecerem a voz, outro conjunto de alunos testemunhou o prazer de ler em voz alta, sob orientação de Teresa Lima e Daniel Gorjão. E, mais uma vez, emocionamo-nos com as palavras cinzeladas por Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, Maria Teresa Horta, Ruy Belo, Sophia, Vasco Graça Moura…
            As palavras ditas e encenadas desta forma mostram-nos que os livros fazem parte de quem somos e fazem parte da nossa descoberta!

POR ÚLTIMO, O ANÚNCIO DOS VENCEDORES
            Depois de tantas palavras e tão boas surpresas, foi a vez do escritor José António Gomes anunciar os vencedores desta fase do Concurso Nacional de Leitura. 
               Os nossos alunos não constavam na pequenina lista – era difícil, entre tantos e tão bons concorrentes. No entanto, cremo-lo firmemente, para além dos livros que receberam, todos os participantes viveram e ganharam uma experiência de leitura que perdurará nas suas memórias, os incitará a ler ainda mais e os motivará para a participação em futuras edições desta festa da leitura.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

O DIA DE NAMORADOS RIMA COM POESIA!

Ilustração de Janice Fried







As manhãs de nevoeiro
São boas para namorar.
Não se perde nem um beijo,
Ficam suspensos no ar.

Luísa Dacosta, Na Água do Tempo








NOTA 4

Se tu amas por causa da beleza, então não me ames!
Ama o Sol que tem cabelos doirados!
Se tu amas por causa da juventude, então não me ames!
Ama a Primavera que fica nova todos os anos!
Se tu amas por causa dos tesouros, então não me ames!
Ama a Mulher do Mar: ela tem muitas pérolas claras!
Se tu amas por causa da inteligência, então não me ames!
Ama Isaac Newton: ele escreveu os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural!
Mas se tu amas por causa do amor, então sim, ama-me!
Ama-me sempre: amo-te para sempre!
                                                                                                           Adília Lopes

Ilustração de Sandi Fitzgerald

                                         POVOAMENTO

                                         No teu amor por mim há uma rua que começa
                                         Nem árvores nem casas existiam
                                         antes que tu tivesses palavras
                                         e todo eu fosse um coração para elas
                                         Invento-te e o céu azula-se sobre esta
                                         triste condição de ter de receber
                                         dos choupos onde cantam
                                         os impossíveis pássaros
                                         a nova primavera
                                         Tocam sinos e levantam voo
                                         todos os cuidados
                                         Ó meu amor nem minha mãe
                                         tinha assim um regaço
                                         como este dia tem
                                         E eu chego e sento-me ao lado
                                         da primavera

                                         Ruy Belo, in Aquele Grande Rio Eufrates

Ilustração de Sami Briss


FEITIÇO VIRADO                                     

Ao luar,
a sombra da tua mão
alongou-se pelo chão.

Boneca-miniatura
na palma de mão gigante,
pisei, maldosa, a escura
sombra distante.

E daí, por sugestão,
foi que em mim nasceu, cresceu
esta triste condição
de te crer maior do que eu.
                       
                     Fernanda Botelho