Arte, Conhecimento, Crítica, Ética, Fórmulas, Humor, Ideias, Imagens, Informação, Literacia, Livros, Música, Números, Reflexão, Saber, Viagens… O Blogue das Bibliotecas do Agrupamento de Escolas Eugénio de Andrade!
Se
estás inscrito(a) no concurso de leitura, amanhã lá te esperaremos, junto ao
pavilhão A, pelas 16:15!
Ainda
tens tempo para rever aquela parte das histórias que não conheces tão bem. Vá lá!
Apressa-te e vem comprovar que ler, para além de ser um prazer, ainda te pode dar prémios!
um tapete mágico que, num abrir e fechar de olhos, te leve
aos confins da terra?
Uma máquina de viajar no tempo, para o futuro a haver,
desconhecido, para o passado histórico ou para aquele em que os animais
falavam?
Companheiros para
correrem contigo a aventura de mares ignorados e de ilhas que os mapas não
registam?
Conhecer mundos para além do nossos sistema solar, a
anos-luz da nossa galáxia, sem necessidade de foguetão?
Saber a idade de uma pedra ou os mistérios da realidade, das
águas, dos bichos, dos pássaros e das estrelas?
Descobrir a arca encantada, onde se guardam os vestidos “cor
do tempo”, das princesas de era uma vez, aquelas que se transformavam em pombas
ou dormiam nos caixões de cristal, à espera que o príncipe viesse despertá-las?
Desfolhar as pétalas do sonho no país da noite?
Abre um livro.
Um livro é tudo isso de cada vez e, às vezes, ao mesmo
tempo. Um livro permite-te contactar com outras imaginações, outras
sensibilidades. É a possibilidade de estares noutros lugares, sem abandonares o
teu chão, de ouvires pulsar outros corações, de vestires a pele humana de outro
ou outros sem deixares de ser tu.
E com o livro a varinha de condão não está na mão das fadas,
está em teu poder. É do teu olhar, de cada vez que te dispões a ler, que nascem
aqueles mundos, caleidoscópicos, de maravilha – e só desaparecem quando fechas
o livro. Mas, a um gesto do teu querer, voltarão a surgir sempre, sempre,
sempre…
“Seja qual for a forma como os leitores fazem seu um livro, o resultado é
que esse livro e o leitor se tornam um só. O mundo que o livro é, devora-o o
seu leitor, que é uma letra no texto do mundo; assim se cria uma metáfora
circular para o caráter interminável da leitura. Nós somos aquilo que lemos.”
Férias! Palavra
mágica. Tempo livre pronto para dedicarmos às nossas actividades preferidas. A
maior paixão de todas: a LEITURA! Mas quando o calor aperta, nem sempre nos
apetece ler textos muito longos ou sérios. É então que damos valor às revistas.
Este mês já chegaram:
A
Visão Júnior com as aventuras e os conselhos de miúdos que viajam
muito, um pequeno livro extra com histórias e muitos jogos divertidos, uma
reportagem sobre os berberes que vivem no deserto onde a água é rara e as
temperaturas oscilam entre o imenso calor e o tremendo frio noturno, um novo
desporto, o wakeboard, para fazer
acrobacias na água, um texto sobre alforrecas e um magnífico passatempo que
permite ganhar uma bicicleta.
A SUPERinteressante
com uma chamada de atenção especial para a empatia e a ligação emocional entre
os humanos, uma reportagem sobre o palácio de Nero em Roma, um texto sobre o
significado de “viver como os vegetais”, vários trabalhos sobre Física,
Psicologia, Desporto e Antropologia e ainda a sugestão de um livro sobre o que
a neurociência pode dizer sobre as nossas emoções.
A National
Geographic celebra a vida de Ghandi, 100 anos depois do seu nascimento.
Fala da sua vida, das suas convicções, da sua luta, do seu exemplo. Traz ainda
um trabalho sobre Plutão, outro sobre a marijuana
e o debate da sua utilização para fins terapêuticos, uma reportagem sobre as
orcas na hora da refeição, um extenso artigo sobre a cidade romana de Ammaia,
que se situa nos arredores de Marvão e foi recentemente descoberta, e ainda um
texto sobre algumas pessoas que abandonam a sua vida profissional e as suas
comodidades do mundo moderno para recriar o fantástico comércio de peles da
América do Norte no século XIX.
O JL (jornal de letras, artes e ideias)
chegou também com uma referência especial ao Prémio Camões, Hélia Correia, que
nos diz “Não sou escritora, escrevo”. Refere ainda os festivais de música, de
Teatro disponíveis este verão e uma série de artigos de opinião sobre livros,
cultura e arte que nos enchem de novos desafios ao nosso conhecimento.
Para quem quer
mesmo navegar pela moda ou sobre dicas de beleza veio ainda a ELLE.
Qualquer uma
destas revistas está ainda ao nosso dispor na Biblioteca!
«(...) os livros só se criam com o fim de unir as pessoas para além da sua própria existência e, assim, de se defender do inexorável oponente de tudo o que vive: fugacidade e esquecimento.»
Hoje
foi um dia especial: Álvaro Magalhães esteve na nossa escola!
À hora
marcada, compareceu na nossa biblioteca, onde alunos, professores e
encarregados de educação o aguardavam, não sem uma boa dose de ansiedade.
Seguiu-se
a apresentação do autor e a declamação dos poemas “O limpa-palavras” e “Mistérios da escrita”. Em duas línguas! Sim, a língua portuguesa e a língua gestual
portuguesa, que os alunos da nossa comunidade utilizam para comunicarem e que,
hoje, foram veículo da sua gratidão a Álvaro Magalhães. Pela sua visita. Pela
sua obra. Por nos surpreender a cada página. Por nos fazer refletir. Por nos
fazer rir. Por nos propiciar belos momentos de partilha através das suas
histórias e da sua poesia.
Depois,
foi a vez das perguntas, cujas respostas nos esclareceram sobre o processo de
escrita, sobre a leitura e até sobre a vida do autor, três aspetos
indissociáveis. Ficamos por isso a saber que:
▪ Nos
seus tempos livres, Álvaro Magalhães lê, escreve, passeia, vai ao futebol e ao
cinema.
▪ A
propósito do texto “O segredo da orelha verde”, onde afirma que nasceu no
Porto, sempre aqui viveu e sempre aqui viverá, esclareceu que o Porto é uma
cidade feita à sua medida (como uma camisa!) - nem demasiado grande, nem
demasiado pequena.
▪ Para
o autor, uma boa história é aquela que envolve o leitor, e ser escritor é um destino,
pois, embora na sua casa não houvesse livros e ninguém o incitasse a ler, desde
sempre sentiu uma forte inclinação para a escrita – ele estava destinado a ser
escritor.
▪
Para Álvaro Magalhães, escrever é como respirar, e considera-se uma pessoa
muito afortunada, porque sempre teve muitos leitores e adora cada um dos seus
leitores.
▪ “O
Estranhão” é o rapaz que Álvaro Magalhães foi quando tinha os seus onze anos –
alguém que gosta de escrever histórias e poemas; Já a coleção “Triângulo Jota”
espelha a sua vivência e as experiências da sua adolescência, embora a
realidade surja transfigurada nas suas obras. Na verdade, para o escritor, a
realidade, que nem sempre tem muita graça, é muito enriquecida pela imaginação.
▪ Entre
as obras que escreveu, talvez as suas preferidas sejam os livros de poesia O Limpa-Palavras e outros poemas e O Brincador.
▪ Escrever
é brincar com as palavras, o que nem sempre é fácil; é uma brincadeira, mas
também uma luta, que implica a redescoberta e a conquista das palavras.
▪
Escrever [O Senhor Pina] é a melhor forma de homenagear um amigo, como o seu
grande amigo Manuel António Pina, que também era escritor e escreveu muito para
crianças.
▪ Na
opinião do poeta, as palavras que neste momento precisam de ser limpas são
palavras tão cruciais como "amor” e “amizade”- palavras que andam
esquecidas, sujas e gastas.
▪ A
escrita e o sonho são formas de fuga à realidade e, se Álvaro Magalhães pudesse
voltar atrás no tempo, regressaria ao tempo anterior à morte de sua mãe, de quem
sente muitas saudades.
Depois
de tantas e tão esclarecedoras respostas, resta-nos desejar que Álvaro
Magalhães continue a sonhar e a escrever, a escrever e a sonhar… e que nos
continue a encantar com a sua poesia e as suas histórias surpreendentes.
Ah! E
para os fãs de “O Estranhão” fica a novidade: o terceiro volume sai já em maio!
O ESTRANHÃO 2 – ACORDEM-ME QUANDO ISTO ACABAR, de
Álvaro Magalhães
Queremos que enfrentes o 3.º período com um humor
refinado, por isso aconselhamos-te a leitura das novas histórias de Fred, o
Estranhão, um rapaz de 11 anos, com um Q.I. acima da média e enorme
clarividência, que narra o seu estranho quotidiano com palavras e desenhos.
Desta vez, ele abre um negócio, assiste a um Porto-Benfica, é assaltado na rua
e assombrado pelo fantasma do avô. Pior, ainda: apaixona--se por uma rapariga
cinco anos mais velha. E ele que só queria ter uma vida normal, sem
sobressaltos… Mas isso não é tarefa fácil para um Estranhão. Pois não?
Sátira e humor da primeira à última página, de que é
exemplo a frustrada candidatura de Frederico (nome por detrás da alcunha “Estranhão”) a
"cartoonista" de um jornal. A resposta não lhe é favorável: "Caro Frederico, Adoramos os teus
desenhos, mas não podemos publicar material de menores. Cá te esperamos quando
fizeres dezoito anos.”
No entanto, Fred não desiste: "Arranjei uma nova
data de nascimento e fiquei com 35 anos, um curso de 'design' gráfico, um
currículo bestial. Ou seja, deixei de ser um rapaz que escrevia e desenhava
como se fosse um adulto, para ser um adulto que escrevia e desenhava como se
fosse um rapaz. Era o que eles queriam, pareceu-me."
E pareceu-lhe bem, porque o mundo anda tão
"estranhão" como Fred!...
DICIONÁRIO IMPERFEITO, de Agustina Bessa-Luís
A obra de Agustina que te propomos para este mês é o
seu Dicionário Imperfeito (Lisboa: Guimarães Editores), que inclui um
conjunto de “ideias-chave, figuras, trechos significativos na obra de
Agustina”, conjunto saído da obra não ficcional da escritora. Por este livro
perpassam ainda afirmações sobre pessoas (a começar na própria Agustina, em
jeito de autorretrato, e a continuar em Amadeo de Souza-Cardoso, Aquilino,
Ingmar Bergman, Mário Botas, Camilo, Camões, Pascoaes, Dostoievski, Erasmo,
Ferreira de Castro, Florbela Espanca, Freud, Greta Garbo, Garrett, Inês de
Castro, Richter, Kirkegaard, Miguéis, Manoel de Oliveira, Pessoa,
Marquês de Pombal, Régio, Francisco Sá Carneiro, Salazar, Santo António, D.
Sebastião, Sidónio Pais, Mariana Alcoforado, Van Gogh, Vieira da Silva, Villon,
Conde de Vimioso, Virgílio), sobre sítios (desde a “alma dos lugares” e
passando por Barral, Brasil, Coimbra, Espanha, Porto, Foz do Douro, Hiroshima,
Lisboa, Nova Iorque, Póvoa de Varzim, Rio de Janeiro, Roma, Sintra, Veneza),
sobre sentimentos (amar, amizade, gratidão, sinceridade, simulação), sobre arte
(artes plásticas, arquitetura, criação, escrita, literatura, poesia), sobre
coisas (automóvel, computadores, guarda-chuvas, livros), sobre política
(candidato, CEE, democracia, eleitor, governo, governantes, marcelismo,
revolução de Abril) e sobre personagens (Moby Dick, Tristão, Isolda, José do
Telhado).
Veja-se um excerto da entrada referente à “leitura”:
«Ler, que pode ser um vício, uma pedanteria ou um
hábito, está reduzido a ser uma questão de tempo. Não há tempo para ler, a
distância entre casa e o emprego é cada vez maior, os consultórios só fornecem
velhas revistas ou propaganda médica, as gares do metro são mal iluminadas, a
leitura não é protegida numa sociedade comprimida entre horas de ponta e
telenovelas. A sociedade não se organizou no sentido de fazer do leitor um
património cultural. Aquele que lê modera as leis da imbecilidade que é o mesmo
que dizer as leis do mal.»
["A lembrança das coisas passadas não é necessariamente
a lembrança das coisas tal como elas aconteceram."
Marcel Proust (escritor francês)]
Se estás a ler este
blogue, provavelmente também gostas de livros – e muito! Nós também! Porém, nem
sempre é fácil recordarmos tudo quanto lemos, não é verdade? E, mesmo que não
sejas um grande leitor, terás de ler textos para reter informação sobre factos, personalidades, fórmulas... Por
isso, hoje partilhamos contigo alguns truques que poderão ajudar-te a recordar
o que lês, seja ficção, seja não-ficção.
Lê num lugar calmo
Este é o truque mais importante para te lembrares daquilo que leste. Se
estiveres distraído com outras pessoas, sons ou atividades, não conseguirás
dedicar à leitura a atenção de que necessitas para absorver a informação. Até
poderás "safar-te", se estiveres a ler para te divertires. No
entanto, se estiveres a ler algo que necessitas de saber ou se te queres de
facto lembrar daquilo que lês, será bem melhor leres num lugar sossegado.
Lê sempre o início e o fim bem como os diálogos
Diz-se frequentemente que a informação mais importante de cada parágrafo
está na primeira e na última frases. O
mesmo acontece na ficção, onde, geralmente, o primeiro e o último capítulos
contêm muita da informação de que necessitas para saberes o essencial da
história. Além disso, os diálogos incluem frequentemente os elementos mais
importantes do enredo. Se prestares muita atenção a estas partes da história, é
bem provável que te lembres do mais importante.
Resume o que lês
Resumir cada capítulo ajuda a recordar o que foi lido. Imagina que vais ser
questionado acerca de determinado livro e que tens de reproduzir o que leste
sem olhar para o livro. Pois bem: se resumires o conteúdo desse livro,
certamente mais tarte lembrar-te-ás dos aspetos fundamentais.
Regista os aspetos
importantes
Para te recordares do que leste, é importante que registes as passagens de
que gostaste particularmente, ou as partes do enredo que queres recordar.
Lê em voz alta
Ler em voz alta ajuda a recordar o que leste. Poderás sentir-te um pouco
apatetado ao fazê-lo, mas a verdade é que ouvir alguma coisa com frequência
ajuda a guardá-la firmemente no cérebro. Ler em voz alta é especialmente útil
quando estamos cansados.
"A good reader starts to see what an entire book is trying to say. And
then a good reader will have something to say in return. If you're
reading well... you're having a conversation."
Paul Acampora, I Kill the Mockingbird
["Um bom leitor começa por ver o que um livro inteiro está a tentar dizer. Então, um bom leitor terá algo a dizer em troca. Se estás a ler bem... estás a ter uma conversa."
"Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam o seu desenvolvimento, atrofiam as suas ideias, dão de comer aos seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura as libertaria dessa vida estreita. Ler civiliza."
Se és daquelas pessoas que se conseguem concentrar a ler ou a estudar enquanto ouvem música, temos mais um presente para ti: "Music for reading"!
Chopin, Beethoven, Mozart, Bach, Debussy e Lizst são alguns dos compositores que podes apreciar nesta coletânea.
Ler um livro que não se pretende ler é como cortar uma árvore grande: a melhor opção é montar peça-a-peça, ler capítulo-a-capítulo! Uma lição importantíssima que nos é transmitida Jim Trelease no filme que se segue:
Não entendeste tudo o que o autor diz? É normal, está em inglês! Mas nós apresentamos-te uma tradução livre, pois é muito importante que conheças o seu conteúdo!
ENTÃO, COMO LER UM LIVRO QUE NÃO SE QUER LER?
Mais cedo ou mais tarde todos teremos de ler um livro que não queremos ler. De facto, é a obrigatoriedade de lermos esse livro, quer ele seja bom ou não, que nos vira contra ele. Poderemos não saber rigorosamente nada acerca desse livro exceto que … não queremos lê-lo! Todavia, teremos obrigatoriamente de o ler, pois a nossa avaliação (ou, mais tarde, o nosso emprego) pode depender dessa leitura.
Todos estes fatores poderão afastar-nos do livro, exceto…
Exceto se encontrarmos uma forma de tornar o livro mais suportável. De outro modo, adiaremos a leitura desse livro até falharmos nos testes ou até nos transformarmos numa estátua de pedra…, o que, obviamente, nunca irá acontecer! UMA FÓRMULA MÁGICA!
No entanto, há uma fórmula para leres um livro que na realidade não queres ler!
Imagina que, próxima da tua casa, existe uma enorme árvore milenar, inclinada e a pôr a tua casa, a tua garagem, a tua vedação e até as casas dos vizinhos em perigo. Estás no inverno e há o perigo de um nevão; logo, com o peso da neve, é bem provável que a tal árvore que tanto aprecias caia ainda mais depressa. Assim, se tu não mandares derrubar a árvore, é bem possível que a “Mãe Natureza” o faça por ti, e aí, os estragos serão enormes. Consequentemente, quer queiras quer não, a árvore terá de ser abatida, assim como tu terás de ler aquele livro que não queres ler…
LER CAPÍTULO-A-CAPÍTULO…
Dado tratar-se de uma árvore tão alta e tão pesada, terá de ser derrubada com muito cuidado: uma árvore deste porte não poderá ser derrubada de uma só vez. Terá de ser “desmontada peça-a-peça” e o mesmo acontece com a leitura de um livro: poucas pessoas leem um livro da primeira à última página de uma assentada ou numa só noite. Pelo contrário, leem secção por secção, capítulo por capítulo, de forma a assimilarem o seu conteúdo. Só não agem assim os patetas que pensam que poderão “digerir” o livro numa noite – a noite anterior ao teste!
Mas o que é que isto tem que ver com o tal livro que tens de ler mas que não queres ler? Tudo!
A primeira coisa que os madeireiros fazem é estabilizar o camião que suportará a grua onde irão subir à árvore. É exatamente isso que tu deves fazer quando te propões ler um livro: “estabilizar-te”!
Como é que isso se faz?
Infelizmente, algumas pessoas pensam que isso significa porem-se à vontade, deitados ao sol, de pernas levantadas. Porém, todo esse à-vontade levá-las-á a uma valente soneca. Eis um facto que talvez desconheças: quando levantas os pés ao nível do coração, o coração bombeia menos oxigénio para o cérebro, o que acarreta sonolência… Assim, é bom que te ponhas à vontade, mas não tão à vontade que comeces a dormir de seguida. Por isso, mantem os pés mais baixos que a cabeça, se quiseres permanecer acordado.
O que os madeireiros fazem a seguir é cortar a parte mais baixa dos ramos. Basicamente, ao fazê-lo, estão a transformar a árvore em secções e é exatamente esta a abordagem que deves fazer ao livro que não queres ler: lê um capítulo hoje, outro amanhã, outro depois… Se o livro tiver 200 páginas, divide-o em secções de 5 ou 10 páginas e em menos de um mês tê-lo-ás lido.
APROVEITA O TEMPO LIVRE PARA LER!
Se reparares bem nos madeireiros, eles não estão sempre no mesmo sítio: deslocam a grua de modo a estarem melhor posicionados face aos ramos que estão a cortar. E um livro tem uma característica extraordinária: é portável, podes levá-lo contigo para onde quiseres, tal como fazes ao teu iPod ou telemóvel, pelo que o poderás levar contigo sempre que achares que terás tempo livre para leres mais umas páginas.
Todos temos 24 horas por dia, independentemente da nossa idade ou da nossa profissão. No entanto, umas retiram o máximo das suas 24 horas, enquanto outras desperdiçam muito do seu tempo e depois perguntam por que razão ainda estão tão atrás dos outros…
Um livro é uma espécie de veículo: ele andará mais depressa ou mais devagar, como tu, leitor, desejares. Um livro obtém alguma da sua energia do autor, mas obtém ainda mais de ti, leitor! Sem o leitor, o livro não será lido, não importa quão talentoso seja o seu autor.
AFASTA-TE DOS DISTRATORES E CONCENTRA-TE NA LEITURA!
Com uma árvore a ser abatida aos pedaços, os perigos que o seu abate acarreta são substancialmente diminuídos desde que o madeireiro prenda as partes que vão sendo cortadas. Com a leitura de um livro acontece algo muito semelhante: quando estás a ler um livro, se não estás a prestar a devida atenção ou se tens a cabeça noutro lugar, a tua concentração acabará por prejudicar a compreensão.
Enquanto derrubam as árvores, os madeireiros não estão a escutar os seus iPods, a atender chamadas dos seus telemóveis ou mesmo a tomar café! Isto não significa que não possas fazer um lanchinho enquanto lês. O que não podes é prestar atenção aos distratores – telemóveis, iPads, pagers, televisores e, por vezes, música. Quanto mais distraído estiveres menos compreenderás.
Imagina que um madeireiro passa o tempo a atender chamadas da sua mulher enquanto trabalha. Não quererias estão a trabalhar por baixo dele, pois não? Então, tenta afastar-te daquilo que te distrai enquanto lês. Algumas pessoas conseguem perfeitamente ouvir música enquanto leem ou fazem os trabalhos de casa, mas outras não. A escolha é tua, mas sê honesto contigo: se te distrai, afasta-te!
NUNCA LEIAS UM LIVRO SEM UM LÁPIS NA MÃO!
Não é necessário dizer que o madeireiro precisa de ferramentas adequadas para exercer a sua profissão. O mesmo acontece com a leitura.
Uma das grandes mentes americanas do século passado, Mortimer Adler, disse um dia: nunca leias um livro sem um lápis ou uma esferográfica na mão [Se estiveres a ler um livro da tua biblioteca, usa post-its!] Não é necessário encher o livro de notas, embora por vezes isso se justifique.
ANOTAÇÕES NOS LIVROS: UMA CONVERSA COM O AUTOR!
Pensa nas anotações que vais fazendo como sendo uma conversa com o autor: as palavras escritas no livro são a parte do diálogo que ele te dirige a ti; já as anotações que vais fazendo nas margens ou nos post-its são a tua resposta ao que o autor escreveu. Quer acredites quer não, esta atividade reforça a compreensão: ao acrescentares à leitura uma atividade física tão simples como escrever uma nota, estarás a implicar uma maior parte do teu cérebro na atividade, e, quanto mais ativo o teu cérebro estiver, de mais coisas te lembrarás e menos probabilidades haverá de adormeceres!
Tirar notas ajuda-te a “digerir” a leitura: quanto mais pensas sobre o que lês, melhor memorizas o conteúdo do livro e com mais ideias ficas.
QUANTO MAIS LÊS, MAIS COMPREENDES!
Quando os madeireiros estão a tratar dos ramos mais baixos das árvores, não conseguem ver muito bem a paisagem que os rodeia, pois não? Mas quanto mais sobem, mais conseguem ver, não é verdade? Pois o mesmo acontece com a leitura de um livro!
Frequentemente, sentimo-nos confusos quando iniciamos a leitura de um livro: (não sabemos quem é quem, o que é o quê. No entanto, quanto mais lemos, mais claros se tornam o enredo e as personagens. Tal como o madeireiro não pode esperar resultados instantâneos, também tu, leitor, não podes esperar compreender todo o livro logo no capítulo 2! Afinal de contas, um bom autor quer manter-te em suspense! LER NA CAMA: UM DOS MELHORES HÁBITOS QUE PODES DESENVOLVER!
Um dos melhores hábitos que podes desenvolver é ler na cama. Parece uma contradição relativamente ao que leste no início deste texto, não parece? Deves estar a pensar que, quando estás deitado(a), os teus pés estão ao nível do coração…
No entanto, presta atenção: quando lês na cama, geralmente lês para relaxar antes de uma boa noite de sono. Puro prazer!
Na realidade, podes considerar a leitura na cama como uma escola noturna, pois estás a treinar o teu cérebro a associar a leitura com uma experiência que te dá prazer e que não te ameaça. Mas que grande experiência!
Pode ainda acrescentar-se o seguinte: quanto mais brilhante é a lâmpada do teu candeeiro, mais tempo conseguirás ler sem que os teus olhos se cansem. Mas se estás interessado(a) em adormecer mais facilmente, baixa a intensidade da luz. Quando lês fora da cama, quanto mais intensa for a luminosidade, menos esforças os músculos dos teus olhos e menos eles se cansam.
Resumidamente, quando tens um livro para ler que não queres ler, aborda-o como o madeireiro faz à tal árvore inclinada: “derruba-o” ramo-a-ramo, quer dizer, capítulo-a-capítulo, página-a-página e surpreender-te-ás ao perceber que é muito mais fácil ler o tal livro do que esperar pela noite anterior ao teste!
No site do autor Jim Trelease encontras excertos da sua obra prima - The read-aloud handbook (1982). Lê-os AQUI.
Celebra-se hoje o Dia Mundial do Braille, sistema de leitura através do tato, destinado a leitores cegos.
Este sistema foi inventado em 1827 por Louis Braille, que, quando tinha apenas três anos, ficou cego enquanto brincava com uma sovela da oficina de seu pai.
Ironicamente, ou talvez não, foi precisamente com o objeto que o cegou que Louis Braille inventou o braille, um alfabeto convencional cujos caracteres se indicam por pontos em alto relevo, sendo que, a partir dos seis pontos relevantes, é possível fazer sessenta e três combinações que podem representar letras simples e acentuadas, pontuações, números, sinais matemáticos e notas musicais. De facto, este sistema funciona tão bem que há quem afirme que a leitura e escrita de música é mais fácil para os cegos do que para os que veem.
Sendo um sistema realmente eficaz, tornou-se popular em todo o mundo e, hoje em dia, torna a palavra escrita disponível a milhões de deficientes visuais, graças aos esforços decididos de Louis, um jovem dono de uma inteligência invulgar, que não se conformou com a sua condição. Tal como registou no seu diário, se os seus olhos não o deixavam obter informações sobre homens e eventos, sobre ideias e doutrinas, tinha de encontrar uma forma de o conseguir. E conseguiu mesmo, inspirando-se na “escrita noturna” de Charles Barbier, um sistema de escrita que se aplicava então nos campos de batalha.
Aqui tens o alfabeto braille, que permite que muitos invisuais partilhem contigo o privilégio de conhecer autores e livros extraordinários: